- os irmaos moram em uma cobertura do alto do maior arranha-ceu da cidade. De lá, observam os meros mortais andando, observam de cima, deuses que são.
- no momento da transformação, o sublime em Miguel. O extase. Sensação de pular do arranha-céu, tallvez um encontro às avesses com os meros mortais, um encontro à sua maneira (sua única maneira possível?).
- Os meros mortais sobem o elevador da cobertura para serem transformados. Os gêmeos fazem este favor a eles.Os gemeos arcanjos.
- CONTEMPLAR, OBSERVAR: acho que nisso está a humanização de Miguel. Se Gabriel ja está muito humanizado, pelo fato da questão sasha bater nele de uma forma muito pessoal, Miguel aqui ganha corpo. A "questao-violencia" os une e desta questao, duas ramificaçõess: contemplação e pulsao sexual (as duas em relacao ao OUTRO, a um objeto). A contemplação e a observação se relacionam ao ato de filmar. Migue observa de cima com binúculos, com uma câmera.
Em cima disso, três textos de Luquinhas. O primeiro sobre a cidade, os outros dois textos pessoais, obervacoes na Quinta da Boa Vista.
1-
Do centésimo andar, ver a cidade. Onda de verticais. A GIGANTESCA MASSA SE IMOBILIZA SOB O OLHAR.
A que erótica do saber se liga o êxtase de ler tal cosmos? Apreciando-o violentamente, pergunto-me como se origina o PRAZER DE "VER O CONJUNTO", de superar, de totalizar o mais desmesurado dos textos humanos. Subir até o alto do edifício é o mesmo que ser arrebatado até o domínio da cidade. O corpo nao está mais enlaçado pelas ruas que o fazem rodar e girar segundo uma lei anônima
Ícaro acima dessas águas. Labirintos móveis e sem fim. Cala a boca, papai, cala a boca.Olho solar, olhos divino, cala essa boca papai. Ser apenas esse olho que vê.
Suicídio sem choque. Eterno suicídio, 30 anos lançado sobre o espaço. Do útero ao céu. 2522...1352...
Gostaria de enngolir uma das peças deste quebra-cabeça. É preciso devorae tudo. E depois cuspir no prato que comeu.
2-
Quinta da Boa Vista
Sexta-feira, setembro, tarde ensolarada.
1. Sob uma árvore, um menino forte e uma menina frágil se beijam. Ele está encostado no tronco da árvore. Ela o abraça.
2.Do outro lado do lago, do alto, um homem observa a paisagem detrás de outra árvore. Apapa o sexo.
3.A menina se afasta do menino e caminha pela margem com um telefone na mão.O menino a segue. Eles desaparecem atrás das pedras.
4.O homem caminha e se senta mais adiante. Apalpa o sexo ligeiramente.
7.Um homem de uniforme azul aparece.
7.O homem que se apalpava se afasta.
8.O homem de uniforme azul caminha simpaticamente e olha para tudo. Vai até as pedras, sobe, põe a mão na cintura. Olha. Depois de instante sai das pedras. Vai embora.
5.O menino e a menina surgem depois da pedra, de maos dadas. Caminham pela margem até desaparecerem.
9. O homem que apalpava observa de longe, e cada vez mais longe, próximos às árvores, corpo reto, acompanhando sempre as arvores.
10. Na volta crianças brincavam com seus respectivos pais. Namorados nas margem, na grama. Um ganso, no lago, come um peixe. Há um homem deitado na pedra. Através das grades, um homem conversa com uma mulher
2-
OUTRAS AÇOES NA QUINTA DA BOA VISTA
9/5/2012
Entre 12h30 e 13h
Quinta da Boa Vista
1. Um homem com bicicleta está parado. Está sem camisa e usa óculos escuros. Fuma um baseado, entre as árvores.
2. Próximo à beira do lago, disfarçado pelo toco, um homem sem camisa está sentado. Óculos escuros na testa.
3. O homem da bicicleta pedala até um pouco mais adiante. Continua a fumar o baseado.Está ao lado de uma árvore.
4. O outro homem que estava sentado caminha até as pedras. Fuma um cigarro. Me olha.
5. O homem da bicicleta está detrás da árvore com sua bicicleta.
6. Uma menina passa a passos largos.e de bracos cruzados. Surge detrás de uma árvores e some detrás de outra.
7. O homem da bicicleta pedala aleatoriamente até encontrar a menina.Eles conversam, ele lhe entrega algo suspeito. Desaparecem.
10. O outro homem me olha e eu o odeio. Ele vai embora e continua me olhando enquanto caminha.
4.
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