quinta-feira, 26 de abril de 2012

ENSAIO 7


 Corpo Santo, IPUB. 14 de abril de 2012

Parte 1- Trabalho individual Luquinhas com texto de Miguel. Objetivo de pensar o texto como significante, ou seja, mais do que o sentido que vem dado à priori, pensar a relação com a palavra concreta, material. Pensar em sonoridade, ritmos, formas, etc. Disto, novos sentidos se constroem e se acoplam ao significado primeiro. Criação de significados.

Aquecimento: 1- VP individual com espaço. Relação com arquitetura e forma. 2- aumentar velocidade progressivamente. 3- Da velocidade já muito rápida, parar e na paragem, junto com os pés, soltar som cortante pelo diafragma. Pensar na justa medida do som. Preciso, cortante, certeiro. Após o som, 8 “s” pelo diafragma, também com a idéia de ser certeiro, preciso, na justa medida. 4- Após os 8 “s”, voltar na relação com o espaço agora com a idéia do foco móvel: buscar sempre novas direções com o olhar e a partir daí, renovar a direção do corpo no espaço. Relação com o espaço e atualização dela. O foco móvel trabalha com teto e chão também. 4- Parar e fazer 8 “pá”, soltando a voz. Também pelo diafragma. A idéia é ativar o centro, enrijecer o centro da voz. 5- Após os “pá”, andar no espaço e ir falando initerruptamente, fluxo livre, trabalhando com a idéia de fôlego. Falar ininterruptamente e indo até o último fôlego. 6- Repetição desta mesma sequência  algumas vezes. 7- Ir para a parede, executar a seguinte sequência: a-) empurrar parede, b-) empurrar parede de costas e junto disso fazer respiração cachorrinho pelo nariz sem parar, c-) voltar a empurrar parede, d-) voltar a empurrar de costas, agora com os “pá”.
Deste trabalho, ao comando, pegar o texto e falá-lo sem parar sempre andando pelo espaço, com a idéia do fôlego. O texto dado é uma compilação em fluxo livre das falas do Miguel da cena 1. O objetivo era ir brincando com as possibilidades de tempo da falas, das palavras. Atentar para como elas tem corpos, sugerem corpos sonoros, materialidades. É muito claro para quem assiste o rabalho de fora, o momento em que o trabalho de Luquinhas dá um salto, o momento em que realmente se começa a investigar as palavras como corpo e o momento em que o corpo começa a responder prontamente à fala. Fala e corpo juntos. O corpo de Luquinhas, a partir de um momento, começa a responder mais prontamente, a prontidão aumenta e o corpo vibra mais. Daí, as relações entre as palavras (tamanhos, silabas, fonemas, repetições de palavras iguais, começam a saltar) fluem. Acho que o trabalho de ativação do corpo ajudou para isto. Numa segunda etapa, peço para Luquinhas trabalhar com repetição. Ir investigando as palavras e repetir o que foi testado. A relação de Miguel com a fala, com a elocução, com a persuasão, são os pontos que guiam o trabalho. “Olhe, que se lixxxxxxxxe”. “ arte cooonnnteemmpporraannneeaa”.

Parte 2 – Com Luquinhas, Oli e Oni. Continuação do trabalho de improviso do dia anterior, a partir das duas primeiras unidades da cena 1.
Aquecimento – mesmo aquecimento feito com Luquinhas. Do aquecimento, começar uma raia no espaço. Desta raia, sai o primeiro, depois o segundo, depois o terceiro e o espaço fica vazio para começar o improviso. Primeira parte: jogo das suspensões, das quebras feito no dia anterior. Na segunda parte, os três juntos. Daí, emendar no roteiro de ações.
Pontos resgatados do ensaio de ontem:
- irmãos esperando juntos, ação dos pés.
- Sasha chegando com trajetória.
- Oni trabalhando só sentado.
- Sasha com corpo à flor da pele.
- Suspensão.

Questão: qual o registro de Sasha Grey? A idéia principal com que estávamos trabalhando desde o primeiro ensaio era a idéia de corpo à flor da pele: Sasha sai do virtual e, ali, no encontro com os gêmeos, na sala da casa deles, é o primeiro momento em que ela está tridimensional no espaço. Tudo é novo, a forma de existência do corpo dela no espaço é nova, deslocada, angustiante. Porém, uma questão apareceu: a saída de Sasha para do virtual para o real não é o momento em que os irmãos realizam a transformação? Não é nesta hora que ela deixa de ser a imagem-Sasha. Então por que ela já aparece transformada desde o início? A idéia é que, mesmo Sasha estando real na casa deles, ela ainda é virtualidade, ainda é o nome Sasha Grey, nome que é, além de Sasha, “pornografia, sexo, erotismo, poder”, etc. Ou seja: talvez a idéia do corpo à flor da pele seja para a Sasha depois da transformação, e não antes. Assim sendo, pensamos em trabalhar com Sasha “realista”. Talvez o vídeo fosse o grande responsável da cena para criar o ruído virtual/atual, o vídeo e o sistema de relações entre os personagens, no qual Gabriel vê tudo o que acontece pela televisão (a Sasha real ainda é espetáculo e, mais do que isso, a vivência dele naquele momento é também espetáculo). Esta foi a principal questão do ensaio. Também testamos Sasha extremamente caricata, extremamente boneca/corpo vitual, mas também era estranho. Ficava muito chapada a questão toda, muito dada de cara para quem já assistia. Se a estrutura da cena já é “estranha”, o registro de interpretação de Oli talvez tenha que ir para o caminho oposto. A estranheza vem da “normalidade”, do “realista” em contraste com a estrutura da TV/relação/imagem. Pensar qual o registro mais interessante para Sasha e qual o percurso deste registro, sua progressão. Pensar sobre isto.

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